quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O proibido

"Eu gosto dos que têm fome. Dos que morrem de vontade.
Dos que secam de desejo. Dos que ardem..."
Adriana Calcanhoto

Subiu-lhe um calor pelo pescoço. E ele nem a tocou. Mas ela, sapiente, intuia nele o desejo. Olharam-se brevemente. Era preciso aliviar aquele calor que agora virava suor. Abreviar o encontro. Demover-se da vontade, do espasmo que lhe tomava conta de um jeito nunca sentido. Era ele, que - bendito - chegara mais perto. "É o mesmo perfume", ele disse, vontade de morder-lhe o pescoço suarento. Feito um vampiro, ela pensou. Era o que mais desejava na vida. O amor mefistofélico, arrebatador e sórdido de um vampiro. Ele recuou e ela pode retesar-se um pouco, pois parecia desfalecer. Ele carimbou os documentos e os devolveu a ela, que, sentida, retirava-se vagarosa. "Teu perfume fica aqui agora. É tua presença invisível", ele disse com a voz um pouco rouca por tentar não ser ouvido. Ela se voltou, mais inebriada ainda. Sorriu. Ela sabia que, mais dia, menos dia, ele não iria aguentar aquela espera. Iria jogar-se sobre ela com ternura e voragem. Porque era isso que esperava dele, volúpia. Como na primeira vez. A vez proibida.

14 comentários:

Marcelo A. de Moura disse...

Olha só, Biba, hoje eu assisti "O curioso caso de Benjamin Franklin". Não vou conseguir descrever agora o quanto gostei, pois ainda estou viajando nas idéias que aquele filme fez explodir na minha cabeça... Incrível! Agora, quando tiver um tempinho, leia o segundo...rs!

http://0rbitas.blogspot.com/search?updated-max=2008-01-02T17%3A53%3A00-02%3A00&max-results=2

Eu nunca li nada do Fitzegerald na minha vida, acredite...Mas, à partir de hoje, lerei tudo o que encontrar...

glória disse...

eu também. gosto dos que se derramam, dos que deixam a vida correr. daqueles que dizem eu te quero com as múltiplas possibilidades de linguagem que o corpo enseja. em doses altas. eu escrevi um post que se chama "perdonado palavras"(mês de janeiro), tem uma vizinh'nça com esse teu escrito. tào bom te encontrar'....bjs

Biba disse...

Marcelo, Benjamin Button é um filme para se ficar pensando nele um bom tempo. Viaje nas idéias e deixe-as explodirem. Você precisa ler Fitzgerald, ele era amigo do Hemingway. leia "Suave é a Noite" para começar.
Beijos
Carpe Diem!!!

Biba disse...

Ah, Glória para mim também foi ótimo encontrá-la. Vou procurar o seu texto do mês de Janeiro.
Uma ótima quinta.
Beijos
Carpe Diem!!!

Adri Antunes disse...

uauu, amei esse texto! demais! não digo??!! vc me conhece e nem sabe...
ah, vais ficar por aqui no carnaval? eu e ira tamu pensando em se encontrar, tomar um café ou então uma xícara de chá, queríamos vc junto, então quando vc podee???
bjuu

ira disse...

passando para apreciar o "proibido". a vez proibida quase sempre é a primeira, desde adão e eva, nossos pais do "proibido", heheh. bjim. viu ai a proposta da adri, né. que tal?

Adri Antunes disse...

obrigada...

Biba disse...

Adri e Ira,

a proposta do café/chá está de pé, sim. Estarei aqui e gostaria mesmo é que vocês dois viessem aqui em casa para tomarmos um chá com uma tortinha e tal, conversar animadamente, rir, fazer a nossa folia. Que tal? Que dia querem?
Beijos
Carpe Diem!!!

Adri Antunes disse...

pra mim, qualquer dia, que tal segunda?

Biba disse...

Eu gosto de segunda. Marcamos a que horas? 16h30? Daí às 17h tomamos o chá com pontualidade britânica!!
Iraaaaa!! Dê sua opinião!!!

ira disse...

opa, beleza, biba. nossa, que privilégio o nosso, em adrii. tá combiando, então,segunda às 16:30. bjins!

Eduardo Matzembacher Frizzo disse...

A morte só é familiar para as famílias do Fustel de Coulanges que desconhecemos. No mais, ela é o que sabemos existir e tememos. Da última vez que fui tocar na mão morta da mãe de um amigo meu, senti uma espécie de repulsa. Mas não uma repulsa pelo corpo morto em si, e sim uma repulsa pelo fato de haver um pastor evangélico dizendo que aquilo era correto e que era a vez de Deus ter chamado ela e não sei mais o quê. As palavras dizem o mundo assim como os móveis dizem a casa. Se o bom gosto é o deplorável kitsch desses jogadores de futebol que misturam armaduras medievais com quadros do Pollock, prefiro meu neandertalismo de pelêgos, violões e chimarrões fumengando na minha garganta. Por isso a sua síntese me intriga, já que sei que tens muito o que falar mas pouco falas. Logo pergunto: por qual motivo falas tão pouco tão grandes coisas em tampoucos linhas? Talvez sejas oriental e nem saiba. Aliás, sabias que o verbo SER não existe para os orientais? E mais: sabia que o verbo SER é o núcleo de toda nossa língua ocidental? Tira o SER de qualquer coisa que tu conheces ou desconheces pra ver o que sobra. No máximo uma sensação fugidia de um sentimento que já deixou de ser no exato instante do toque. Tens o dom da artesã, minha cara moça, e isso não é querer rasgar seda pra você, porque quase sempre odeio artesãs. Porém, quando sinto a seda e o bicho da seda em cada trama de linha, algo me diz que algo há. E essa é você.

Biba disse...

Ira, valeu!! Segunda às 16h30! Ueeeba! Vou receber meus amigos na minha casinha!!! Vai ser muito bacana!!
Beijo
Carpe Diem!!!

Biba disse...

Moço, sim, tenho muito a dizer e já fiz posts longos. No momento as coisas saem assim, com tempo limitado, curta duração porque também quero exercitar a síntese. Talvez seja o momento, não sei. Gosto de saber que você acompanha meus textos com extremada atenção.
Há muito a dizer e creio que ando também querendo vasculhar o impossível. Daí um certo comedimento.
Volte sempre, Eduardo.
Beijo,
Carpe Diem!!!