terça-feira, 14 de outubro de 2008

Juliette

Se você não me interromper, eu conto. O nome dela era Juliette, como a Binoche. Tão linda quanto, você poderá dizer. E era. Só que mais magra, menos morena e mais alta. Eu a vi pela primeira vez perto do hotel onde ficamos hospedados, depois na Gare du Nord e na padaria, aquela da esquina onde comprávamos croissants. Ela parecia fantasmagórica às vezes. Usava uns vestidinhos floridos ou com estampas geométricas, nunca lisos. A fantasmagoria vinha de um certo alheamento, uma certa expressão de ausência que eu notava nela. Um dia, por exemplo, ela atravessou a rua como um autômato e foi surpreendida por um ônibus. Eu corri ao encontro dela que não quis ajuda. Ergueu-se insolente e seguiu, perna esfolada no asfalto. (Trecho do conto "Juliette" do livro O Imprevisto)

6 comentários:

Diego disse...

Esse conto é um dos meus preferidos, você sabe. Beijos.

Biba disse...

Olá, Diego. Que bom que veio me visitar. Sim, eu sei que você gosta deste conto. Beijos. Carpe Diem!

Caco disse...

Que lindo! Também adoro a(s) Juliette (s).
bjs

Biba disse...

Ai, Caco! Obrigada! As Juliettes são muito especiais na minha vida.
Beijos e Carpe Diem!

Anônimo disse...

Bah prof. não li o teu livro, mas fiquei bastante interessada por ler, lendo o trecho do post...muito bonito e cativante...
Te admiro bastante prof, adorei seu blog. E tb gosto muito das suas aulas, que sempre deixam algo a flutuar na 'mochila'da mente.
=)
muito sinceramente,
e um abraço.

Biba disse...

Fico feliz que você tenha gostado do blog. O livro tem lá no Maneco e o e estilo é assim "cativante" como você disse.
Bjuss
Carpe Diem!