quinta-feira, 8 de maio de 2008
Vinícius de Moraes - Poética
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte
Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço
- Meu tempo é quando
sábado, 26 de abril de 2008
No olho do furacão
Vontade enorme de fugir
Dançar à toa... Viver à toa
Mas o furacão se enfurece
grunhe e leva a gente embora
Para longe do inexplicável
Para mais dentro do seu olho
inumano, irrascível, torto.
E a gente reza como se pecasse
por querer tanto a liberdade
Como se confundisse a própria
existência com esse olho que
da retina acaba escuro e triste
domingo, 23 de março de 2008
Mergulho
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Virginia Woolf
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Retorno ao blog
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Com os anjos
pergunta a voz amiga
Digo que estão em um
lugar lilás senão azul
Digo que me deixaram
zonza e desprecavida
Digo que sinto falta mas
que eles não me pertenciam
O poema nasce e pronto,
já é do mundo, o danado
Não precisa crescer fora,
já nasce crescido e veloz
Mas onde estão os poemas?
Digo que estão com os anjos
E que assim seja
O amor
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Jorge Luís Borges
domingo, 16 de dezembro de 2007
sábado, 15 de dezembro de 2007
e.e.cummings
nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa
ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Feliz
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
A pá e a terra
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Sobre perdas e danos
desalinho
desânimo e Ritalina
Hora da sorte permeada
pela hora da zona morta
Não há castigo maior
do que perder a memória
ainda mais sendo ela
a nossa extensão de tudo
Sobre perdas e danos
caminhos
que inúteis se revelam
caminhos
que também transcendem
se a gente tiver força e coragem
de prosseguir
caminhos
de bits and bytes, enfim
domingo, 9 de dezembro de 2007
Vazio virtual
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Bem Caio F.
Cheiro de almíscar
Uma coisa anos 70
Ficou atenta ao
Próximo passo, o desenrolar
Uma margarida no asfalto
Tulipas tamancos e moinhos
Algo assim bem Caio F.
Mas não veio nada demais
Só uma saudade roendo
Uma vontade de entrega
Um comercial na televisão
Cheiro de patchuli
Lembranças de viagens
Cabelo longo despenteado
Um cachecol vermelho e
Uma vontade de Rimbaud
Algo assim bem Caio F.
Mas depois dos cheiros
Nada mais aconteceu
Só um céu lilás por trás
Dos edifícios e muros.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
A leitora de Calvino
Lia, displicente, Ítalo Calvino
enquanto o dia se modificava
Do sol abrasador veio a chuva
E com ela uma certa melancolia
Lia, com calma, Ítalo Calvino
Se um viajante numa noite de
inverno era insano e perspicaz
Na sua busca por arrebatamento
ficava sempre devendo um tom
A melodia nunca se completava
Mesmo assim, lia solenemente
Ítalo Calvino e pensava que a
vida é mesmo um mistério a
ser desvendado pouco a pouco
A chuva intensificou seu interesse
pela leitura e a fez desdobrar-se
em uma mulher-livro, impiedosa
