sexta-feira, 5 de junho de 2009

O passado e suas teias

Eu fecho os olhos e nem precisava. Revejo tudo e não queria. Repasso quando quero me desfazer. Recuo querendo avançar. Talvez o dia não seja perfeito para rememorar. Nenhum é. Mas podia ter feito sol ou chovido, para não ser um dia abismático como foi. Teria olhado para trás de outro modo. O que importa realmente importa? Eu fecho os olhos e vejo. Lá está, como um enredo em flashback. Lá está, o passado todo. Vítreo, petrificado, sem as nuances que dele sempre guardei. Por que agora fica assim, tudo cinza-azulado enquanto as lembranças convergem a um portal de ideias insanas? Vítreo? Será mesmo que ainda sei distinguir esse espaço entre o ontem e o amanhã, que é meu hoje-agora-aqui? Fecho os olhos. Respiro. Dou um passo, outro. Talvez seja isso, ir em frente mesmo que vagarosamente. Com um certo temor. Dúvidas. Os olhos se abrem e a imagem congelada é a dele sorrindo um sorriso que só conheci naquele rosto.

12 comentários:

Beto Canales disse...

legal

Letícia disse...

Legal? Eu vou mandar a Maitê parar de ligar para o Beto.

Eu adorei e não rasgo seda. Porque é simples e imenso. Eu pensei em sorrisos que conheci e não vejo mais. Sorriso de filho e sorriso de meu pai um dia em que ele estava de bom humor. E pensei também que não temos um único passado. Pode ser maluquice, mas me dei conta de que temos vários passados. Eu tenho essas fases. Deixei muitos passados para trás e agora estou revisitando outro. A vida segue assim.

E nossos textos dialogam, Biba.

Marcelo disse...

... é quando estamos velhos e não percebemos. É quando o tempo já passou e ainda achamos que temos muito. Isso acontece quando nos esquecemos que iria acontecer. De volta Biba, muito interessante teu texto.

Biba disse...

Oi Beto! Viu só? A Letícia vai mandar a Maitê parar de te ligar!! Adorei! (Sorry!)

Beijos
Carpe Diem!!

Biba disse...

Letícia, sim, percebo que nossos textos dialogam, os contos também. E é verdade, não existe um único passado, são vários e depois nós os compartimentamos, guardamos ou nos desfazemos deles (isso é para quem pode, eu não consigo de todo).

Beijo grande e afeto
Carpe Diem!!

Biba disse...

Obrigada, Marcelo. Nós nunca percebemos o que vai acontecer,pois é sempre do porte do imponderável. A vida é sempre imprevisto.

Beijo,
Carpe Diem!!

adri disse...

oláááá, simmm, tb estou com saudades! vamos marcar de tomar outro chá com certeza. olha só, a gente podia visitar aquele novo espaço de medialunas, croasonho, vi que abriu ali na frente do Bergson, assim podíamos comer algo doce e gostoso, tomar um chá quentinho e conversar um pouco que tal? me diz quando tu pode.
um bjuuuu enormmee!

Biba disse...

Oi Adriiiiiiiii!!! Vamos ver para quando posso tomar esse chá, daí trocamos figurinhas sobre. Que bom que esteve aqui.

Beijo
Carpe Diem!!

Mel disse...

Profe!!!

Então, já faz algum tempo que leio teu blog, e adoro! Principalmente a forma como você fala sobre sentimentos... faz tudo parecer tão mais simples!

Beijo!!!

Biba disse...

Mel,

beijo grande e saudades!
Carpe Diem!!

glória disse...

Biba! esse entrelaçamento de tempo é salvo-conduto para que as intensidades alumiem o instante. Essas teias do passado enovelam e enchem de espelhos, algumas vezes, de paredes nuas do que denominamos tempo presente. Eu sou tão cismada com essa idéia de tempo cronometrada e sucessiva. Muitas vezes me vejo também, assim:

"Será mesmo que ainda sei distinguir esse espaço entre o ontem e o amanhã, que é meu hoje-agora-aqui"

os teus escritos são atravessados por dimensões imaginárias que comumente nos visitam e nos instigam. Denso e belo!

bjs

Biba disse...

Glória, obrigada pelas lindas palavras. Espero tê-la sempre por perto!

Beijo grande
Carpe Diem!!