quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O violino

Violino. Sim, era um som de violino que eu ouvia e me colocava livre, à disposição daquela imaterialidade sonora. Não sei de onde vinha a música, pois então já era música. E comecei a pensar nas lágrimas de outro dia e achei tudo tão banal, apenas porque aquele violino me transportava para um estado de puro sentir, uma primeiridade. Era manhã, e as manhãs são manhosas, têm uma certa lentidão em querer amanhecer, virar dia outra vez. Fiquei quieta, ouvindo os acordes, deixando tudo transparecer, esvanecer, seduzida pelo som. Assim devia ser a vida, sempre. Um violino no alto da manhã deixando-nos estupefatos. Não descobri de onde vinha a música, nem precisava. Tem coisas que não se diz e tem coisas que são só para sentir, assim, meio que sonolentos, à beira de mais um dia indefinido.

2 comentários:

Anônimo disse...

Violino!!
Lembrei do Florentino Ariza, do alto de seu cemitério de pobres, tocando a favor do vento para que seus acordes cheguem aos ouvidos da amada.

Biba disse...

Que bela imagem! Há algo mais fascinante do que o som de um violino assim, vindo do nada? É sublime.